Europa: Combate às drogas da Grã-Bretanha não está dando certo, descobre instituto de consultoria
As táticas tradicionais de imposição da lei de combate às drogas não deram certo na Grã-Bretanha, de acordo com uma pesquisa lançada na quarta-feira pela Comissão de Políticas de Drogas do Reino Unido. A comissão é uma entidade não-governamental que lista entre seus objetivos proporcionar uma “análise independente e objetiva das políticas de drogas do Reino Unido”.
No estudo, “Afrontando os mercados e redes de distribuição de drogas no Reino Unido Uma revisão da bibliografia recente” [Tackling Drug Markets and Distribution Networks in the UK: A Review of the Recent Literature], os pesquisadores informaram que os mercados britânicos de drogas são “extremamente maleáveis” e que aumentar as apreensões de drogas causara pouco impacto nas ruas. Apesar de gastar centenas de milhões de dólares todo ano na repressão às drogas, “há extraordinariamente poucas provas de sua eficácia em desordenar mercados e reduzir a oferta”, concluíram os autores.
“Ficamos espantados com as poucas provas existentes para mostrar que as centenas de milhões de libras gastas em repressão no Reino Unido todo ano haviam causado um impacto sustentável e compensavam o investimento e com a falta de publicações que permitam comparações entre as diferentes abordagens repressivas”, disse Tim McSweeney, um dos autores da revisão.
“Todas as agências repressoras visam reduzir os danos das drogas e a maioria tem formado parcerias locais para fazê-lo, mas ainda tendem a ser julgadas por medidas de atividade tradicional de oferta como índices de apreensão”, disse David Blakey da comissão. “É uma pena, já que é dificílimo demonstrar que cada vez mais apreensões de drogas levam, com efeito, a menos dano ligado às drogas. Lógico, os traficantes devem ser levados à Justiça, mas devemos reconhecer e incentivar o papel geral que a polícia e outros oficiais da força pública podem desempenhar na redução do impacto dos mercados de drogas sobre nossas comunidades”.
Contudo, os autores do relatório deram a entender que a força pública tem sim um papel a desempenhar, particularmente ao se concentrar nos mercados de drogas com mais “danos colaterais”, como violência de gangues, tráfico de seres humanos e criminalidade ligada às drogas. A polícia precisa trabalhar de perto com as comunidades locais, disseram os autores, e reconhecer as conseqüências imprevistas e inopinadas das medidas repressivas, como um “desmantelamento” que simplesmente muda traficantes para bairros próximos.

















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